Este blogue não pretende ser um meio de divulgação de nenhuma espécie de informação, sendo apenas um espaço onde publicarei, a título pessoal e absolutamente amador, alguns projectos da faculdade.


Frequento o 3º ano de Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa e este blogue servirá como uma forma simples e acessível de partilhar algumas dos trabalhos que vou realizando ao longo do curso e também outros projectos com os quais for colaborando.


Nem todo o material será meu, pelo que estará sempre devidamente identificado o seu autor ou fonte.

Não se sintam inibidos de fazer qualquer tipo de crítica, comentário ou desafio!

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13 julho 2010

"Prisioneiros de Guerra"

Esta foi a primeira reportagem feita no âmbito do Atelier de Jornalismo Radiofónico, que descobri recentemente ser uma grande paixão. A gravação das entrevistas e a edição de toda a reportagem foi feita por mim, apenas a voz-off foi gravada em estúdio.

19 maio 2010

"Reserva Natural do Cavalo do Sorraia"

Este trabalho foi feito para a cadeira de Foto-Jornalismo, do 3º ano do curso. Trata-se de uma reportagem fotográfica acerca de um tema à escolha, pelo que escolhi a Reserva Natural do Cavalo do Sorraia, uma raça em extinção. Note-se que foi a primeira vez que tive contacto directo com uma câmara fotográfica profissional. Além disso, o Movie Maker tirou imensa qualidade às imagens. De qualquer forma, adorei a experiência.



"A Esquerda regressa a Alpiarça"

Esta entrevista foi feita após as eleições autárquicas de 2009, ao novo presidente da Câmara Municipal Alpiarcense, Mário Pereira, e publicada na edição de Outubro do jornal "Voz de Alpiarça" com o qual colaborei na altura. Infelizmente, com muita pena minha, deixei de ter disponibilidade para continuar. Contudo, espero poder voltar a fazê-lo muito em breve.


As fotos são da autoria do Vítor Lopes, colaborador do jornal.


Entrevista a Mário Pereira

“Não podem esperar de nós uma postura de exercício dos cargos vertical e centralizada... O relacionamento próximo com as pessoas é a nossa principal prioridade.”

Aos 40 anos, Mário Pereira, casado e pai de dois filhos, é o novo presidente eleito para a Câmara Municipal da nossa vila de Alpiarça. Licenciado em História e Ciências Sociais pela Universidade do Minho, desde cedo se interessou pelas questões relativas à política tendo aderido ao Partido Comunista Português em 1990. Vereador da Câmara Municipal desde 2005, ano das últimas eleições autárquicas, candidatou-se novamente à presidência este ano e acabou mesmo por vencer, no dia 11 de Outubro, com cerca de 49,7% dos votos, contra aproximadamente 42% para o PS que detinha a Câmara há já 12 anos.

Em entrevista ao Voz de Alpiarça, o novo presidente da Câmara Municipal encara esta vantagem de cerca 7,6% em relação ao PS com naturalidade: “Pelo trabalho que realizámos ao longo dos vários anos em oposição, através dos eleitos da CDU, pela sua intensificação durante o ano de 2009 e particularmente durante a campanha e pelo que considerávamos ser a justeza das nossas propostas e a sua adequação ao necessário desenvolvimento do nosso concelho, tinhamos uma grande convicção de que iriamos ter bons resultados e ganhar nos vários órgãos: Câmara e Assembleia Municipais e Junta de Freguesia.”

Mário Pereira comentou ainda a abstenção de cerca 33,5% dos recenseados de Alpiarça que, na sua opinião, não se trata de um fenómeno local, sendo que existem inúmeros concelhos do país que registaram níveis de abstenção mais elevados. Contudo, explica este fenómeno através de uma certa desmobilização dos cidadãos que assistem ao abandono por parte das forças políticas locais das promessas e propostas feitas em período de campanha eleitoral. Acrescenta ainda: “Algumas situações menos claras, de corrupção, podem fazer com que os cidadãos não compreendam, ou compreendam de forma errada, aquilo que seria o necessário sentido da participação democrática”. Em Alpiarça, particularmente, o presidente conta que não vê nenhuma razão que tenha contribuído para estes números a não ser, de facto, algum descrédito relativo a promessas não cumpridas.

O novo líder autárquico considera que toda a campanha foi marcada pela positiva e pela discussão de ideias, apresentação de propostas e pelo afastamento, pelo menos formal, de questões pessoais. Salienta o civismo e a forma positiva com que todas as forças polítcas encararam este acto eleitoral. Em relação à CDU Mário Pereira não hesita: “Fizemos uma campanha excepcional! Nunca nos últimos 15 ou 20 anos a CDU tinha feito uma campanha tão intensa, com um conjunto tão vasto de iniciativas e realizações, todas elas com imenso sucesso!” Estas iniciativas passaram pela realização de comícios no largo dos Águias em que se mobilizou centenas de munícipes, pela participação de dirigentes nacionais como Ilda Figueiredo, Gerónimo de Sousa ou António Filipe, por iniciativas sectoriais como debates sobre a situação da agricultura, mais concretamente sobre o melão, ou até mesmo por reuniões com o movimento associativo, com os agentes culturais, desportivos, etc. O actual presidente acredita, portanto, numa retrospectiva da campanha, que foi o porta a porta, o contacto directo com as pessoas, incluindo obviamente as populações do Frade de Cima, Frade de Baixo, Casalinho, etc, que se tornou fundamental para a mobilização dos activistas e apoiantes da CDU e para os resultados que acabaram por se verificar posteriormente no dia 11 de Outubro.

Perguntámos ao nosso novo presidente qual seria a primeira medida a ser posta em prática logo após a tomada de posse da Câmara Municipal ao que este respondeu prontamente que não seria uma questão muito fácil principalemente pelo parcial desconhecimento da situação concreta, sobretudo a nível financeiro, em que se encontra a autarquia. De qualquer forma confirmou-nos que existe um conjunto de medidas nas várias áreas, desde a cultura, ao desporto, passando obviamente pelo desenvolvimento económico, entre outras, previstas no programa eleitoral e que são, por isso, para cumprir. Este mandato será pautado pelo entendimento e apelo ao bom relacionamento entre as pessoas que o anterior executivo deixou deteriorar como refere este autarca: “Existe neste momento uma crispação entre as forças políticas e entre as pessoas e mudar isso é a nossa principal prioridade”.

Embora a campanha eleitoral da CDU não se tenha baseado, segundo Mário Pereira, no levantamento exaustivo de erros, foram abordadas várias questões consideradas de resolução imediata obrigatória. Nomeadamente ao nível das questões ambientais – tomemos por exemplos a poluição da Vala de Alpiarça ou o mau funcionamento da ETAR – que são problemas que, no entender do novo executivo, urge resolver, foram já apontadas algumas possíveis soluções. Primeiramente será necessária a intervenção da autarquia no sentido de efectuar uma vigilância e fiscalização rigorosas das entidades poluidoras. Contudo, esta fiscalização terá que contar com a intervenção e contributo das entidades competentes na matéria, neste caso a Administração da Região Hidrográfica do Tejo (ARH Tejo) e a empresa intermunicipal Águas do Ribatejo, que terão que, juntamento com a Câmara e as autarquias vizinhas, colaborar de forma a resolver este problema. “Sabemos que parte do problema tem origem na Zona Industrial e nos efluentes que são deitados directamente no colector de esgotos e no emissário que vai para a Vala de Alpiarça. Consideramos importante a construção de uma nova ETAR na Zona Industrial, bem como continuar a intervenção e os trabalhos de limpeza que já foram iniciados e evitar que esta situação se volte a repetir” – acrescenta.

Há que ter presente que a autarquia tem um endividamento actual de cerca de 12 milhões de euros o que, para uma autarquia destas dimensões, o novo presidente considera um montante demasiado elevado. Ainda assim admite: “Claro que parte dessa dívida resulta de investimentos que foram feitos e dos quais usufruimos e continuaremos a usufruir. O montante do endividamento não resulta na totalidade de más opções, mas há algum que resulta.”

Preocupa-nos então saber de que forma pode esse endividamento tornar-se uma limitação à realização efectiva das promessas eleitorais. Mário Pereira não esconde a preocupação e chega mesmo a dizer que esta situação se prolongará por anos e que afectará as gerações futuras embora não saiba ainda as suas verdadeiras implicções: “Esta é uma realidade que só depois, no terreno, poderemos ver o quão limitativa ou não é da acção em termos futuros”. Contudo, avança a hipótese de fazer uma auditoria às contas da Câmara que defina exactamente o que significa este endividamento e qual é a situação financeira real.

Pretende assim obter algumas pistas em termos de gestão futura que terá que ser, segundo este, rigorosa, criteriosa e que mobilize as disponibilidades financeiras para a execução das propostas, para projectos muito específicos, sem megalomanias e sem iludir as pessoas com propostas que não são exequíveis. O nosso autarca reforça a ideia de uma política de proximidade, que satisfaça as imediatas aspirações ao bem estar e usufruto dos bens colectivos dos municipes, assim como ter sido, de resto, a linha de orientação sugerida pelo presidente da República, Cavaco Silva, até porque, segundo Mário Pereira, não há neste momento capacidade nem interesse deste novo Quadro de Referência Etratégica Nacional em se concentrar em grandes infraestruturas.

Assim, o novo presidente da Câmara Municipal considera que as medidas mais urgentes a serem tomadas são relativas à sociedade, à educação, à prática desportiva, ao usufruto dos bens culturais e históricos. Mário Pereira diz: “Os cidadãos e o nosso património ambiental, cultural, histórico e até mesmo urbano, merecem uma atenção especial. Temos duas linhas de orientação importantes: valorizar as pessoas e valorizar o património!”

Uma das questões que mais pode preocupar os cidadãos alpiarcenses é o facto da CDU, sendo um partido de esquerda, ser conhecido, em Alpiarça, por fazer uma política centrada apenas na própria vila, que não permite a entrada de investimentos de outras terras, entre outras questões que poderiam limitar o seu desenvolvimento e uma maior projecção a nível nacional. Neste aspecto o presidente mostrou-se em total desacordo: “Temos autarquias comunistas no nosso país que têm conseguido projectar-se nacionalmente. A CDU está em maioria em concelhos como o Barreiro, Seixal, Almada, Setúbal, e num conjunto de autarquias que conseguem impor a sua imagem ao nível do país”. Reforça ainda que a lista de candidatura apresentada contava com vários militantes do Partido Comunista mas também com um largo conjunto de independentes.

O segredo, para Mário Pereira, está em saber potenciar eventuais imagens fortes de Alpiarça, imagens de marca. O melão surge então como uma das mais-valias para a nossa vila e até já foi proposta a criação de um Festival do melão, bem como outras medidas de certificação e promoção do sector junto dos grandes centros. A Casa-Museu dos Patudos é, segundo este, outro património importantíssimo a ser valorizado, bem como outras componentes museológicas, arqueológicas, como é o caso da barragem, e até históricas, de luta contra o fascismo, que tem sido gradualmente esquecida principalmente pelas camadas mais jovens. O vinho é outro elemento fundamental que surge associado à nossa vila e que tem vindo a perder essa ligação, sendo necessário revivá-la. Em termos desportivos, destaca ainda o ciclismo, não apenas por si só mas também como componente de outras práticas desportivas, nomeadamente o triatlo. Estas são apenas algumas das formas que o novo presidente do município aponta para promover a imagem do município e valorizar as nossas potencialidades turísticas.

Um dos problemas com que Alpiarça se debate há bastante tempo é o progressivo envelhecimento da população e a saída dos jovens que não encontram aqui as oportunidades de emprego e a realização pessoal que ambicionam, por outro lado, é obvio o desinteresse generalizado dos jovens relativamente à intervenção política. O presidente da Câmara afirma que este fenómeno não é, contudo, totalmente inocente: “Por vezes os poderes vêem na participação empenhada dos jovens uma possibilidade de afronta ao poder instituido”. Para ele, os jovens de hoje devem ser naturalmente interventivos pois serão os governantes de amanhã e essa participação é fundamental não só ao funcionamento dos partidos em particular mas também ao sistema democrático no geral. Para tal, e de forma a cativar uma maior atenção das faixas etárias mais baixas para os assuntos da política, Mário Pereira apresenta algumas sugestões como a Semana da Juventude, o Concelho Municipal da Juventude, que será reactivado, ou mesmo a organização de encontros que consigam juntar o lado lúdico, de convívio, música ou cultura, com a discussão dos assuntos da política local e que mais digam respeito aos jovens: “Através destas iniciativas pretendemos auscultar as sensibilidades, vontades e ideias dos jovens, até porque um dos objectivos que estará sempre presente na gestao de um município como o nosso é a manutenção e a fixação de jovens no concelho”.

No fundo este mandato será definido e continuará a insistir numa ideia de participação popular não colocando entraves à intervenção de todos: “As pessoas não podem esperar de nós uma postura de exercício dos cargos vertical, centralizada, como pensamos ter acontecido nos últimos tempos. Pensámos até criar grupos de trabalho com municipes de várias áreas políticas que auxiliem o poder local”. Também os funcionários da autarquia desempenharão, aqui, um papel fundamental. Para o nosso presidente, sem uma boa relação com os funcionários, sem se discutir com eles as suas ideias e propostas e sem o seu empenho e responsabilização, este mandato estaria condenado ao fracasso.

Mário Pereira pretende ainda, de forma a fomentar o espírito participativo em todos os cidadãos, rever o ponto do regimento da Assembleia Municipal em que está regulada a participação dos munícipes e que, durante este anterior mandato, foi alterado numa tentativa clara de limitar a participação popular apenas aos assuntos da ordem do dia: “O que pretendemos é voltar ao anterior sistema em que os cidadãos podem intervir com as perguntas que entenderem sobre os assuntos que entenderem e, ainda, alterar o período de intervenção do público, que se realiza no final da sessão e que muitas vezes se prolonga até de madrugada, para o início da mesma.” Com estas medidas e com a realização de várias reuniões descentralizadas, em todas as freguesias do concelho, sempre que necessário, o novo executivo tentará apelar ao espírito interventivo e estimular o interesse pela participação política empenhada e consciente de todos.

Este será, portanto, um mandato pautado por uma ideologia de transformação social, de proximidade e de cooperação entre cidadãos e orgãos autárquicos, sem megalomanias, centrado em promover os pontos fortes da nossa vila, o nosso património, aproveitando os recursos que já temos e criando as melhores condições de usufruto dos bens que são de todos; um executivo preocupado em apoiar o movimento associativo, que pretende dar voz às reivindicações popualares – é o que promete o nosso recém eleito presidente da Câmara Municipal para os próximos quatro anos de mandato.

"Jornalismo de Proximidade"

No âmbito da cadeira de Seminário: Jornalismo I, do 1º ano, leccionada pelo jornalista Francisco Sena Santos, foi-me proposto que fizesse o seguinte trabalho acerca do tema: "Média Ribatejanos". 
Obtive as entrevistas por e-mail, visto que tive um prazo de 2 dias para realizar o trabalho. Mais uma vez, bastante imaturo.


Jornalismo de Proximidade

Imprensa Regional Ribatejana

Na sociedade actual em que vivemos, e especificamente no nosso país, é cada vez mais comum a ideia de que os meios de comunicação devem ser o espelho de tudo o que acontece à nossa volta, não só do que nos é mais próximo mas também daquilo que se passa um pouco por todo o mundo.

Este pressuposto de generalização e globalizaçao não deixa de ser positivo, no entanto, há que ter em conta as implicações que daí podem advir. Quase sempre, e focando-nos apenas no nosso país, os meios de cuminicação regionais são subvalorizados em relação aos nacionais. Contudo, a partir de finais dos anos 80 começou a notar-se uma nova atitude face à comunicação social regional e local, até então portadora de um estatuto inferior. A própria imprensa regional apresentou nesta fase sinais de mudança. Essa mudança levou a que nos nossos dias haja uma pluralidade de novos meios de comunicação e que estes se continuem a desenvolver de dia para dia.

No Ribatejo, por exemplo, são já inúmeras as rádios existentes, nomeadamente a Rádio Pernes, em Santarém, a Antena Livre, em Abrantes, a Rádio Cidade de Tomar, a Rádio Maior, a RCARibatejo, em Almeirim, a Rádio Voz Entroncamento, a Torres Novas FM, entre variadíssimas outras. Ao nível da Imprensa escrita, entre os principais Jornais ribatejanos encontram-se O Mirante, O Ribatejo e o Correio do Ribatejo, embora estes útimos dois com uma tiragem e um número de leitores significativamente inferiores em relação aos do primeiro. É, então, precisamente no Ribatejo que nos vamos centrar.

Tendo a sua 1º edição saído para as bancas no dia 16 de Novembro de 1987, O Mirante é o Semanário Regional a registar maior tiragem a nível nacional nos quatro trimestres de 2007, com uma média de 29.252 exemplares no último trimestre desse ano em comparação à média geral dos outros Jornais Regionais do país, que ronda aproximadamente os 8.111 exemplares nesse mesmo trimestre (dados da APCT – Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação). Este semanário subdivide-se em três edições diferenciadas: Lezíria do Tejo, Médio Tejo e Vale do Tejo, pelo que além de estar sediado em Santarém, tem ainda sedes de redacção na Chamusca e em Vila Franca de Xira.

Segundo o director d’O Mirante, Alberto Bastos, jornalista de profissão, um Jornal Regional tem imensas desvantagens em relação a um Jornal de tiragem Nacional pois os Regionais são, muitas vezes, desvalorizados pelos centros de decisão de Lisboa, mesmo que, como é o caso d’O Mirante, tenham as maiores tiragens e mais leitores.

Em termos publicitários também se verificam as discrepâncias. “Muitas, vezes a situação roça o ridículo. Estando nós na zona do país onde há maior actividade agrícola não há uma única campanha dirigida ao sector que seja colocada em O Mirante, por exemplo. Toda a publicidade é conseguida semana a semana e, como não há grandes anunciantes, o trabalho de angariação torna-se quase ciclópico.” – comenta Alberto Bastos.

Ainda assim a situação financeira do jornal O Mirante é boa. O maior problema é contratar mão-deobra de qualidade pelo que um dos principais objectivos deste Jornal é investir não só em novos equipamentos mas também em recursos humanos e em formação, melhorando assim a qualidade da informação. Embora, segundo Alberto Bastos, haja sempre, em qualquer meio de comunicação social, dificuldades no acesso às fontes e em filtrar a informação, é O Mirante que produz mais de 98 por cento da sua informação, ao contrário do que acontece nos jornais de Lisboa, que compram às agências grande parte daquilo que divulgam, sejam fotos ou textos.

Contudo, e apesar de todas as dificuldades, a Imprensa regional também pode ter algumas vantagens em relação à nacional. Como dá informação de proximidade, aquela que normalmente não tem espaço nos meios de comunicação generalistas que se editam em Lisboa, os leitores têm acesso à informação do que se passa na sua área de residência. O Director d’O Mirante considera ainda: “Qualquer pessoa tem à sua disposição informação regular e pormenorizada sobre o que se passa no Iraque, nos Estados Unidos ou em Lisboa mas não encontra nos denominados “orgãos de informação nacionais” notícias sobre o que se passa na zona onde reside ou nas localidades próximas.” 

Por outro lado, esta próximidade pode trazer alguns problemas. Muitas vezes existe a ideia de que os media locais servem para elogiar o que de bom se passa na região e, quando tal não acontece as reacções podem ser negativas, visto que nestes meios mais pequenos todos se conhecem. Jerónimo Jorge, jornalista e director da rádio regional Antena Livre partilha da mesma opinião: “É possível haver deslocação de ouvintes das rádios nacionais para as locais caso haja uma emissão de proximidade e qualidade de informação”. Quer sejam temáticas ou generalistas, as rádios devem ser o interlocutor das actividades da região, com independência e rigor. No entanto, actualmente, se os leitores de mp3 nos dão o que queremos ouvir, então o papel das rádios fica mais dificultado: têm que nos dar a música que queremos ouvir e boa informação. Por este ponto de vista as rádios locais não estão em desvantagem pois acima de tudo o que têm de fazer é jornalismo de proximidade: noticiar os acontecimentos da região, abordando os grandes temas nacionais e mundiais e as suas implicações regionais.

No entanto, as rádios regionais também têm dificuldades em relação às nacionais, é necessário gerir a informação e a agenda com equipas mais reduzidas e não entrar em imitação ou concorrência com as rádios de âmbito nacional. Mesmo ao nível da publicidade, sendo esta o suporte de toda a rádio, nunca é suficiente: “Sem publicidade não se conseguem fazer grandes coisas. É ela que sustenta a rádio desde os ordenados dos funcionários, despesas fixas, investimentos, etc. As condições de trabalhos na Antena Livre são boas mas as possíveis.” – acrescenta Jerónimo Jorge. Apesar de todos os problemas e dificuldades financeiras do sector é possível fazer boa rádio de acordo com as condições de cada estação. Contudo os apoios da publicidade institucional nunca chegam, sendo que os únicos apoios que se verificam realmente são dos fundos estatais ou comunitários.

Os meios de comunicação social locais ou regionais são meios em desenvolvimento que, mesmo com as suas dificuldades, trabalham para melhorar o seu desenmpenho e a qualidade do seu trabalho. Com poucas ou nenhumas ajudas, continuam as suas edições, melhorando diáriamente o seu estatuto. No Ribatejo a rádio e a imprensa escrita estão em pleno desenvolvimento e avanço tecnológico. 19 anos após a sua fundação O Mirante tornou-se já o jornal regional com o maior estatuto a nível nacional e promete continuar.

Todos os meios de comunicação social, nacionais ou locais merecem destaque, todos têm a sua importância e há que saber valorizá-los pois a globalização deve ser sempre sinónimo da agudização dos particularismos culturais.

"Feiras em Vias de Extinção"

Trabalho feito no 1º ano para a cadeira de Laboratório de Géneros Jornalísticos. 
Foi a primeira reportagem "in loco" que tivemos que fazer. Claramente principiante, agora que a revejo.

Feira em vias de extinção

O primeiro domingo de cada mês é dia de feira em Almeirim. Nesta cidade, situada no distrito de Santarém, tem lugar um mercado de rua onde se vende de tudo um pouco, para todos os gostos e carteiras. Esta feira é já um tradição com aproximadamente 30 anos que mantém um tipo de comércio artesanal, típico das zonas rurais.

São 6 horas da manhã eabrem-se os portões que dão acesso ao largo da feira. Dezenas de feirantes montam as suas tendas, retiram das carrinhas as caixas com o material de venda, expõem os seus artigos nas bancadas e preparam-se para mais um longo dia de trabalho. Pelas ruas, de terra e de pedras, lá se vão organizando os feirantes, que têm o seu lugar já definido no terreno. Os corredores são enormes, cheios das mais diversas cores, apinhados de caixotes e sacos, cheios de tudo o que se possa querer vender ou comprar. Velhos e crianças ajudam os adultos na arrumação das bancas pois aqui toda a família ajuda e ninguém é deixado para trás.

Os produtos variam entre as mais diversas espécies de plantas, utensílios agrícolas, malas, sapatos, roupa, muita dela contrafeita, lingerie, CDs e DVDs, na maioria pirateados, e até comida como doces tradicionais, queijos, enchidos e o famoso bacalhau. A escolha é elevada e os preços reduzidos. As bancas de panos de cozinha a 5 euros a dúzia ou de soutiens a 1 euro a unidade multiplicam-se e a concorrência explode num sem fim de pregões: “Olha a camisa de senhor a 10 euros! Oh, minha senhora, é só escolher!” e há até quem, mais distraidamente ou não, grite: “Aproveitem fregueses, levem 6 e paguem meia dúzia!”. O ambiente é simpático, alegre e com muita vida. As cores, os cheiros, os sons, os pregões, os cantares, tudo cheira a tradicional, tudo remete um pouco, de certa forma, ao tempo dos “nossos avós”.

Este é um ritual que se repete todas as semanas, para Donzília. Tem, juntamente com o seu marido, um negócio de malas. De malinhas de senhora a sacos de desporto, passando por malas de viagem, tem de todos os tipos, para todos os gostos e para todos os preços, dos 10 aos 60 euros. 

Esta senhora de 61 anos, nascida na cidade Santarém, já conhece os cantos à casa. De facto, nunca fez outra actividade na vida: nasceu na feira e aqui continuou. Durante 16 anos ajudou os seus pais no negócio das árvores, plantas, sementes e outros produtos agrícolas: “Os meus pais eram agricultores e ao fim de semana vendiam na feira com a minha ajuda e a dos meus 2 irmãos mais velhos. Éramos 6, ao todo, lá em casa, mas a minha irmã mais nova tem problemas respiratórios e não podia ajudar. Era uma vida dura!”- comenta. 

Mas esta vida dura nunca acabou para Donzília; aos 16 anos resolveu trabalhar por conta própria e iniciar o seu negócio de venda de malas. Alugou o seu próprio terreno na feira, comprou uma carrinha, investiu todo o dinheiro que tinha nas malas que comprou à revenda e juntou as condições necessárias para começar a sua nova vida. Após 45 anos de trabalho por conta própria, esta comerciante percorre todas as feiras que lhe são possíveis na região: Almeirim, Alpiarça, Marinhais, Santarém... Todos os fins-de-semana são dias de trabalho!

No entanto, a feira já não é o que era. Cada vez há menos adesão e o movimento tem decrescido de ano para ano: “Os chineses vêm cá para Portugal, com os preço muito baixos, e roubam-nos os clientes, que assim já não têm que esperar pela feira para comprarem tudo mais barato. Pelo menos no meu ramo, o das malas!”- afirma revoltada. O negócio vai mal e as pessoas que vão à feira vão, na sua maioria, apenas a título de passeio e, mesmo essas, são cada vez menos: “A crise está instalada e as pessoas têm cada vez menos poder de compra, ouvimos isso todos os dias nos jornais.”- dizDonzília, acrescentanto que este ano tem sido mesmo o mais difícil dos últimos tempos.

Em todo o recinto são poucas as crianças, e as que por ali se encontram são principalmente de etnia cigana: umas brincam alegremente pela rua, outras ajudam os pais, outras choram por não ganharem o brinquedo que queriam. São quase todas filhas de feirantes que não têm onde as deixar. E as que vêm com os pais, enquanto clientes, trazem a família consigo o que acaba por se tratar mais de um local de convívio do que de um local de comércio. 

As feiras estão envelhecidas. As crianças são afastadas, pelos pais, deste negócio. Ao contrário do que acontecia antigamente, quando a feira ali começou, os pais incentivam agora os seus filhos a estudar e a esforçarem-se por uma vida melhor. Afinal de contas, o negócio vai mal para todos. 

Donzília bem o pode dizer, já era perto das 12 horas quando vendeu a primeira mala do dia: 45 euros. Esta cliente veiodirectamente de Samora Correia comprar-lha, pois assim tinha ficado combinado no mês anterior. “Pelo andar da carruagem nem vou ter lucro para cobrir o aluguer do terreno”- lamenta a feirante.

O preço dos terrenos varia entre os 50 e os 150 euros mensais, consoante o espaço e a localização, o que significa que, havendo apenas uma feira por mês, esse aluguer é válido por um dia. Muitas vezes o lucro que se tem mal é suficiente para cobrir as despesas e, por isso, o negócio já não compensa. No entanto, Donzília, já com 61 anos, diz ser demasiado tarde para procurar outra actividade. 

Donzília tem agora 2 filhos já adultos e orgulha-se de ter podido dar uma boa educação aos dois: “O meu mais velho, o Henrique, trabalha numa empresa de informática e a minha mais nova, a Lídia, é jornalista na Rádio Pernes. Espero que nunca venham a passar pelas mesmas dificuldades que eu. Fiz de tudo para que isso não acontecesse. Mas nem sempre foi fácil!”- diz, orgulhosa. 

Algumas bancas mais à frente, perdida no meio da azáfama das camisolas a 5 euros e das clientes afoitas, encontra-se Delfina. Com apenas 25 anos é a mais nova de 6 irmãos e gere o seu próprio negócio de roupa na feira há já 5 anos. É jovem mas, tal como Donzília, não tem outras perspectivas de vida: “Nasci aqui, e aqui fui criada... Até gosto disto.”- comenta num tom despreocupado. 

É uma realidade não muito distinta daquela em que vive Donzília. Ambas passaram toda a vida naquelas feiras, vagueando com os pais e irmãos por aquelas ruas povoadas de frangos e galinhas, de patos e perús, com os cheiros intensos do presunto, queijo e bacalhau, com os riscos das inspecções e dos roubos, sempre presentes e até bastante frequentes. E essa é a realidade de ambas, porque sempre assim foi e “não sabem fazer mais nada”. Quando confrontada com a hipótese de estudar, Delfina responde com desinteresse dizendo: “Isso não é para mim, nunca gostei da escola.”. O facto é que Delfina está acomodada, embora o negócio também não lhe corra pelo melhor. 

Há 5 anos que trabalha por conta própria e, tal como Donzília,  considera que este é o pior ano de vendas a que já assistiu. O movimento vai decrescendo e, aos poucos, a feira vai desertificando. São cada vez menos, e cada vez mais idosas, as pessoas que continuam a comercializar neste tipo de mercados. As oprtunidades de estudar são cada vez maiores e quase todos as querem aproveitar. O negócio está a decrescer e é necessário encontrar outras formas de sobreviver. É por isso que o marido de Delfina deixou, já há um ano, o trabalho na feira, deixando-o ao encargo da esposa e da sogra, D. Alzira, que, reformada, vai ajudando para passar o tempo.

A feira vai envelhecendo e medida que os feirantes envelhecem, o mercado envelhece com eles. Das crianças que ali circulam, poucas se manterão por muito tempo, muitas delas andam na escola e ajudam os pais apenas por ser fim-de-semana. Com a crise instalada no país e a concorrência a aumentar, quer por parte das lojas de chineses, quer por parte das grandes superfícies comerciais, o negócio vai ficando cada vez mais difícil. O artesanato é subvalorizado e há cada vez menos quem lhe dê continuidade. Os jovens fogem para as grandes cidades, poucos restam no interior, nas pequenas cidades, como Almeirim. O cheiro a tradição vai-se esbatendo e cada vez são menos as bancas, os feirantes, cada vez é menor o entusiasmo e a alegria tão característica deste tipo de mercados.

Quando confrontadas com a pergunta: “Pensa que a feira é um tipo de comércio em vias de extinção?” ambas Donzília e Delfina respondem que não, que “se há-de manter”. Mas será a curto prazo? Será definitivo? Conseguir-se-há manter a tradição? A que custo? Será necessária a intervenção das Câmaras Municipais? Os actuais transíuntes das feiras são cada vez mais idosos, os que continuam a fazer a rotina que sempre fizeram, a comprar nos mesmos sítios. Mas as novas gerações não ficarão por aqui muito tempo e cada vez mais se manifesta este êxodo em relação às feiras. Com o abandono das localidades rurais vem o abandono das pequenas feiras e mercados de rua e isto está à vista de todos, é inegável.