Obtive as entrevistas por e-mail, visto que tive um prazo de 2 dias para realizar o trabalho. Mais uma vez, bastante imaturo.
19 maio 2010
"Jornalismo de Proximidade"
No âmbito da cadeira de Seminário: Jornalismo I, do 1º ano, leccionada pelo jornalista Francisco Sena Santos, foi-me proposto que fizesse o seguinte trabalho acerca do tema: "Média Ribatejanos".
Obtive as entrevistas por e-mail, visto que tive um prazo de 2 dias para realizar o trabalho. Mais uma vez, bastante imaturo.
Obtive as entrevistas por e-mail, visto que tive um prazo de 2 dias para realizar o trabalho. Mais uma vez, bastante imaturo.
Jornalismo de Proximidade
Imprensa Regional Ribatejana
Na sociedade actual em que vivemos, e especificamente no nosso país, é cada vez mais comum a ideia de que os meios de comunicação devem ser o espelho de tudo o que acontece à nossa volta, não só do que nos é mais próximo mas também daquilo que se passa um pouco por todo o mundo.
Este pressuposto de generalização e globalizaçao não deixa de ser positivo, no entanto, há que ter em conta as implicações que daí podem advir. Quase sempre, e focando-nos apenas no nosso país, os meios de cuminicação regionais são subvalorizados em relação aos nacionais. Contudo, a partir de finais dos anos 80 começou a notar-se uma nova atitude face à comunicação social regional e local, até então portadora de um estatuto inferior. A própria imprensa regional apresentou nesta fase sinais de mudança. Essa mudança levou a que nos nossos dias haja uma pluralidade de novos meios de comunicação e que estes se continuem a desenvolver de dia para dia.
No Ribatejo, por exemplo, são já inúmeras as rádios existentes, nomeadamente a Rádio Pernes, em Santarém, a Antena Livre, em Abrantes, a Rádio Cidade de Tomar, a Rádio Maior, a RCARibatejo, em Almeirim, a Rádio Voz Entroncamento, a Torres Novas FM, entre variadíssimas outras. Ao nível da Imprensa escrita, entre os principais Jornais ribatejanos encontram-se O Mirante, O Ribatejo e o Correio do Ribatejo, embora estes útimos dois com uma tiragem e um número de leitores significativamente inferiores em relação aos do primeiro. É, então, precisamente no Ribatejo que nos vamos centrar.
Tendo a sua 1º edição saído para as bancas no dia 16 de Novembro de 1987, O Mirante é o Semanário Regional a registar maior tiragem a nível nacional nos quatro trimestres de 2007, com uma média de 29.252 exemplares no último trimestre desse ano em comparação à média geral dos outros Jornais Regionais do país, que ronda aproximadamente os 8.111 exemplares nesse mesmo trimestre (dados da APCT – Associação Portuguesa para o Controlo de Tiragem e Circulação). Este semanário subdivide-se em três edições diferenciadas: Lezíria do Tejo, Médio Tejo e Vale do Tejo, pelo que além de estar sediado em Santarém, tem ainda sedes de redacção na Chamusca e em Vila Franca de Xira.
Segundo o director d’O Mirante, Alberto Bastos, jornalista de profissão, um Jornal Regional tem imensas desvantagens em relação a um Jornal de tiragem Nacional pois os Regionais são, muitas vezes, desvalorizados pelos centros de decisão de Lisboa, mesmo que, como é o caso d’O Mirante, tenham as maiores tiragens e mais leitores.
Em termos publicitários também se verificam as discrepâncias. “Muitas, vezes a situação roça o ridículo. Estando nós na zona do país onde há maior actividade agrícola não há uma única campanha dirigida ao sector que seja colocada em O Mirante, por exemplo. Toda a publicidade é conseguida semana a semana e, como não há grandes anunciantes, o trabalho de angariação torna-se quase ciclópico.” – comenta Alberto Bastos.
Ainda assim a situação financeira do jornal O Mirante é boa. O maior problema é contratar mão-deobra de qualidade pelo que um dos principais objectivos deste Jornal é investir não só em novos equipamentos mas também em recursos humanos e em formação, melhorando assim a qualidade da informação. Embora, segundo Alberto Bastos, haja sempre, em qualquer meio de comunicação social, dificuldades no acesso às fontes e em filtrar a informação, é O Mirante que produz mais de 98 por cento da sua informação, ao contrário do que acontece nos jornais de Lisboa, que compram às agências grande parte daquilo que divulgam, sejam fotos ou textos.
Contudo, e apesar de todas as dificuldades, a Imprensa regional também pode ter algumas vantagens em relação à nacional. Como dá informação de proximidade, aquela que normalmente não tem espaço nos meios de comunicação generalistas que se editam em Lisboa, os leitores têm acesso à informação do que se passa na sua área de residência. O Director d’O Mirante considera ainda: “Qualquer pessoa tem à sua disposição informação regular e pormenorizada sobre o que se passa no Iraque, nos Estados Unidos ou em Lisboa mas não encontra nos denominados “orgãos de informação nacionais” notícias sobre o que se passa na zona onde reside ou nas localidades próximas.”
Por outro lado, esta próximidade pode trazer alguns problemas. Muitas vezes existe a ideia de que os media locais servem para elogiar o que de bom se passa na região e, quando tal não acontece as reacções podem ser negativas, visto que nestes meios mais pequenos todos se conhecem. Jerónimo Jorge, jornalista e director da rádio regional Antena Livre partilha da mesma opinião: “É possível haver deslocação de ouvintes das rádios nacionais para as locais caso haja uma emissão de proximidade e qualidade de informação”. Quer sejam temáticas ou generalistas, as rádios devem ser o interlocutor das actividades da região, com independência e rigor. No entanto, actualmente, se os leitores de mp3 nos dão o que queremos ouvir, então o papel das rádios fica mais dificultado: têm que nos dar a música que queremos ouvir e boa informação. Por este ponto de vista as rádios locais não estão em desvantagem pois acima de tudo o que têm de fazer é jornalismo de proximidade: noticiar os acontecimentos da região, abordando os grandes temas nacionais e mundiais e as suas implicações regionais.
No entanto, as rádios regionais também têm dificuldades em relação às nacionais, é necessário gerir a informação e a agenda com equipas mais reduzidas e não entrar em imitação ou concorrência com as rádios de âmbito nacional. Mesmo ao nível da publicidade, sendo esta o suporte de toda a rádio, nunca é suficiente: “Sem publicidade não se conseguem fazer grandes coisas. É ela que sustenta a rádio desde os ordenados dos funcionários, despesas fixas, investimentos, etc. As condições de trabalhos na Antena Livre são boas mas as possíveis.” – acrescenta Jerónimo Jorge. Apesar de todos os problemas e dificuldades financeiras do sector é possível fazer boa rádio de acordo com as condições de cada estação. Contudo os apoios da publicidade institucional nunca chegam, sendo que os únicos apoios que se verificam realmente são dos fundos estatais ou comunitários.
Os meios de comunicação social locais ou regionais são meios em desenvolvimento que, mesmo com as suas dificuldades, trabalham para melhorar o seu desenmpenho e a qualidade do seu trabalho. Com poucas ou nenhumas ajudas, continuam as suas edições, melhorando diáriamente o seu estatuto. No Ribatejo a rádio e a imprensa escrita estão em pleno desenvolvimento e avanço tecnológico. 19 anos após a sua fundação O Mirante tornou-se já o jornal regional com o maior estatuto a nível nacional e promete continuar.
Todos os meios de comunicação social, nacionais ou locais merecem destaque, todos têm a sua importância e há que saber valorizá-los pois a globalização deve ser sempre sinónimo da agudização dos particularismos culturais.
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